quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Menstruação

  Desde muito cedo, tão logo iniciam sua vida religiosa no africanismo, as mulherem são orientadas por seus zeladores e zeladoras de Santo que não devem participar de rituais e nunca adentrarem os locais considerados sagrados quando menstruadas.
  Para o leigo, esta restrição pode parecer apenas mais um tabu ou simples preconceito cultural de nossa sociedade. No entanto, sob a ótica religiosa, e de acordo com a visão de mundo do povo africano, ela se constitui num verdadeiro preceito.
  Para entender o motivo desta restrição, é necessário compreender o que o sangue vermelho representa e qual o seu papel dentro da religião africana.
  De acordo com a crença religiosa de culto a Orixás, estão presentes na constituição do sangue vermelho dos animais vivos os quatro elementais básico da natureza, utilizados por Olorum(o Deus supremo) na criação de tudo aquilo que existe nos reinos animal, vegetal e mineral. Estes elementais, também conhecidos como fluídos da natureza, são representados pela terra(presente no sangue vermelho animal sob a forma de minerais), o fogo( a temperatura que indica o estado vivente dos animais), a água(o principal meio condutor das moléculas que compõe o sangue) e o ar(representado pelo oxigênio, que mantém vivas as células).
  Devido a combinação perfeita  dos quatro elementais existentes em sua formação o sangue vermelho animal se constitui num dos principais fixadores e revitalizadores do axé, que representa a força dinâmica das divindades e seus respectivos poderes de realização.
  Portanto, ao utilizar o sangue vermelho animal nos rituais(e é bom salientar que na religião africana se utiliza o sangue de aves e quadrúpedes, cuja carne serve de alimento para toda a comunidade), pretende-se, através do encantamento e da magia, estimular o dever das coisas e propagar a força do axé para os indivíduos que fazem parte da comunidade religiosa ou que dela se utilizam
  Embora na grande maioria dos casos o sangue atue como elemento positivo no processo de fixação do axé, existem ocasiões em que ele atua como alemento de força negativa.
  Como sabemos, durante o seu período fértil, o ovário da mulher libera mensalmente um ovócito, que percorre a trompa de falópio na expectativa de ser fecundado. Se o for, irá se tranformar em óvulo, fixando-se na parede do útero e dando início à uma nova vida. Não sendo fecundado, o ovócito morre e o tecido da parede do útero, que concentra uma enorme quantidade de vasos sanguíneos, será expelido sob a forma de sangue, juntamente com o ovócito morto, anunciando o fim do ciclo que se preparava para dar vida a um novo ser.
  Como se vê, o sangue da menstruação não vem para anuciar uma vida(força positiva), mas indica, exclusivamente, a interrupção de um ciclo, o seu fim, a sua morte, (força negativa).
  Popularmente, diz-se que, quando menstruada, a mulher fica de corpo aberto, o que é pura verdade. Por estar carregando um sangue com enorme quantidade de energia negativa - conhecido como o sangue da morte pelos africanos - as mulheres ficam muito mais vulneráveis nestes períodos, não devendo participar de qualquer ritual, sob a hipótese de torná-lo contrário ao seu propósito.
  Outra questão muito comentada no meio religioso é aquela que proíbe que mulheres menstruadas entrem na casa de Bará ou que mexam em suas coisas, sob o risco de promover a sua ira. Isto se explica pelo fato de que a energia que as mulheres carregam nestes períodos é antagônica a pruduzida por Bará, grande concentrador da força positiva que impulsiona a criação e que também é responsável por sua dinâmica e expanção. Em outras palavras, estas energias acabam se conflitando, ocasionado na mulher uma brusca redução de suas forças, podendo levá-la à um estado de completa prostação.

                                                                                                                                                                                   

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